Oi, pessoal!
Como foi o final de semana?
Aqui foi animado: domingo foi a festinha do Biel, fiz bolo, docinhos, lembrancinhas …aff…graças a Deus, né? Aniversário de criança deve sempre ter uma ”baguncinha”, um bolinho que seja e, gente, é lógico que eu, arroz de festa, não deixaria o aniversário do meu pimpolho passar em branco…rsrs…já estou com mil idéias para o aniversário da Lalá, em outubro…rssrs….vai ser a festa da “moranguinho”, que é o apelido carinhoso que dei a minha princesinha. Aqui em casa os 3 tem apelidos: Vinícius era o meu tourinho e agora é o meu anjo, Gabriel é o meu docinho e Larissa é a minha moranguinho…rsrsrs.
Tbm aproveitei para começar duas artes que tenho para entregar: de uma amiga da faculdade e de uma amiga aqui no blog. Não vou citar nomes, até pq este cantinho público, assim como muita gente boa passa por aqui, muita gente com intenções não tão boas assim passam tbm. Então, vou preservar esta amiga e tudo que se passou…
Há um tempo atrás, uma criança faleceu de maneira estúpida, violenta e a imprensa nacional divulgou bastante este caso. Infelizmente, esta vidinha linda, virou uma estatística, virou mais um número no meio de tantos casos inacreditáveis de violência contra criaça, de assassinato de inocentes que acontecem todos os dias. Essa amiga daqui do blog, é amiga tbm da família deste anjo e, dias destes, me pediu que montasse uma arte com uma foto desta criança com o restante da família. Amiga, sei que vc vai ler este post, tenha certeza que farei a arte mais bonita que vc possa imaginar e farei com todo amor do mundo!!!
Ela me enviou as fotos por e-mail e pude ver ali, tão próximo de mim, aquele sorrisinho lindo que vi tantas vezes na TV. Dei aquela respirada profunda e juro que, mais uma vez, questionei o porquê. Ainda olhando a foto, meu coração doeu em saber da dor que aquela criança sorridente e linda sentiu….apesar de não ter morrido de forma violenta, meu Vini sofreu muito, sentiu dor e, acredito que, ver o sofrimento de um filho, toque demais qualquer mãe. Só nos resta acreditar que tanto o meu filho como a jóia da foto estão num lugar de muita paz.
Daí comecei a pensar na mãe desta criança…Como ela está? Como anda o coraçãozinho dela? Em que fase ela está? Juro, eu não tinha vontade de falar nada….só dar um abraço apertado. Pq a dor ela é a minha…perdemos nossos filhos com idades bem próximas (meu filho foi morrendo a cada dia, em 28 dias, e o anjinho dela foi tirado de uma hora para a outra) e passamos por outras situações parecidas.
Cada mãe reage diferente, cada uma tem a sua estória…
Nesses 2 anos,1 mês e 11 dias que se passaram desde que meu anjo se foi, hoje eu consigo enxergar as fases que passei. Primeiro veio aquela fase que vc não acredita que aquilo aconteceu com você, que você enterrou a sua parte mais importante, que aquilo tudo é um pesadelo e logo vc vai acordar e vai ver que quem morreu foi o filho do amigo do tio do cunhado da vizinha e não o seu. Minha vida se perdeu numa escurdão que parecia tão ter fim…tudo pede o sentido, pouco importa se vc está viva ou não. No início, eu achava que eu iria abrir a porta de casa e iria ver meu filho voltando, iria vê-lo outra vez com o uniforme do Colégio Americano e seu tênis cheio de luzes…e muitas vezes eu abri a porta de casa com essa esperança. Muitas vezes eu entrei no meu carro (que coincidência…até o meu carro era o mesmo desta mãe…o mesmo modelo, a mesma cor, idêntico) esperando a vozinha linda dele dizer: mamãe, coloca na jovem pan.
Hoje eu não abro mais a porta esperando vê-lo entrar correndo, suado, todo sujo e rabiscado. Eu já não espero mais ouvir a vozinha dele…Depois veio a fase onde a imagem do nosso filho não sai da nossa mente, os sons, os fatos, os cheiros, tudo que aconteceu voltam em flashback a todo momento. Eu pensava tanto no Vinícius, tanto, tanto, que uma vez, até acho que comentei aqui ou no antigo blog, eu fui ao mercado comprar fraldas P para o Gabriel e comprei as fraldas EG que o Vini já nem usava mais (ele só voltou a usar fraldas no hospital). E comprava as coisas que o Gabriel precisava com a cabeça no Vinícius…aconteceu isso com roupa, com iogurte, com brinquedo, enfim, com tantas coisas…eu entrava numa loja e pensava: o Vini precisa de casaco pq está chegando o inverno…No primeiro Natal sem ele, o primeiro presente que escolhi na loja foi o dele…só quandocheguei no caixa eu vi que só quem ganharia presente seria o Biel…e eu chorei tanto que fiquei passando mal…como é que eu não conseguia lembrar do Gabriel, que estava aqui, precisando de mim?
E todas as fases que passo são acompanhadas por uma saudade profunda…daquela saudade que dói fisicamente, que embrulha o estômago.
E assim veio a culpa…eu passei a acreditar que eu tinha matado meu filho. Que eu ter forçado ele a ter tomado o remédio (e ter brigado com ele pq ele cuspiu tudo) poderia ter desencadiado alguma coisa. Que ter levado ele para comer pizza no shopping tbm. Que não ter pego um avião para o Boldrini, que não ter lido a Bíbilia mais vezes, não ter rezado o terço mais vezes,enfim, tudo era motivo, tudo era minha culpa. Daí eu, com tempo, passei a ver que ter forçado meu filho a tomar o remédio mostrou o quanto eu me preocupava com ele, que levá-lo para comer pizza, foi o último momento de felicidade dele, que levá-lo para o Boldrini não era certeza de cura, enfim.
Hoje eu continuo sentindo muita saudades do meu tourinho lindo, do meu loirão. Ainda não consigo nem ouvir a musiquinha dos Backyardigans, nem a Discovery Kids, nem o Cocoricó e nem o Carros….parece qe consigo ouvir a vozinha dele cantando ou repetindo as falas dos seus personagens preferidos. Como ele estaria hoje? Do que ele gostaria?
Hoje eu me permito me sentir feliz por ser a mãe dele e por ser a mãe do Biel e da Lalá tbm. Hoje eu enxergo os filhos que estão aqui comigo, precisando demais de mim…precisando do meu sorriso, para que aprendam a sorrir, precisando do meu amor, para que saibam amar. Mas não deixo de lembrar do meu ”primeirinho”, do seu jeitinho meigo, do seu sorriso com os olhos, da sua vozinha doce. Acho que estou aprendendo a conviver com a distância…ele só mudou de lado, ele só foi para o outro lado da janela…e um dia eu tbm vou para lá encontrá-lo, viver tudo o que não foi permitido viver aqui…
Com diz aquela música linda do Cats, memory, se não me engano:
“…Eu posso sorrir nos dias passados
Eu era bonita então eu me lembro
do tempo que eu conheci o que era felicidade…
…
…Quando o amanhecer se aproxima
Essa noite será uma lembrança também
E uma nova vida começará…
….
…Outra noite se acabou
Outro dia está nascendo…
…
Toque – me,
É tão fácil de me abandonar
Sozinha com uma lembrança dos meus dias no sol
Se você me tocar
Você entenderá o que é felicidade
Olhe, um novo dia começou.”
É aí que estou, esta é minha fase: enxergar a luz deste novo dia, sem me esquecer de como fui feliz no passado. É um exercício diário, é matar um leão por dia buscar vencer a dor da morte…o Vini foi a minha maior alegria, não posso deixá-lo virar uma dor, uma tristeza. Ainda derramo muitas lágrimas, vcs não fazem idéia, mas aprendi a secá-las…preciso dos meus olhos bem limpos para ver todas as outras coisas lindas qu fazem parte do meu mundo.
Bjão e uma ótima semana.
Rê
Amanhã voltamos com fotos e notícias da festas….rsrs
