Bom dia, pessoal!
Tenho acompanhado um pouco pela TV o que tem acontecido recentemente sobre a morte de inocentes. Gostaria realmente de não saber de nada mas é impossível não falar alguma coisa. Engraçado, depois que o Vini faleceu, eu acreditava que nada mais me chocava, mas continuo sendo mãe, né? Então tudo isso que a gente vê noticiado por aí ainda me pertuba muito.
A Alek, mãe da Maricota, expos essa inversão de valores muito bem no blog dela e eu estou aqui para fazer coro. Mas o “coro” bacana é aquele que é justo, que procura ver os dois lados da moeda. É lógico que existem situações que o enxergar o “outro lado da moeda” é como encontrar uma agulha no palheiro, mas, diante tantas tragédias, não é possível que a gente não mude um pouco, ou que então, tente mudar. E a mudança precisa começar dentro de casa.
Ei, somos pais e mães de uma geração linda, de uma geração que conhece o amor. Se temos a oportunidade e a vontade de criar nossos filhos, pq não fazer da melhor forma possível? Pq não ensinar com pequenos gestos a importância da família e noções de civilidade? Vamos deixar quem fazer isso? Não preciso ser uma eco-chata, por exemplo, para mostrar aos meus filhos pequenas lições sobre a importância de se preservar a natureza e ensiná-los que se joga lixo no lixo e não na calçada ou pela janela.
Vocês querem um exemplo bem bobo? Todas as vezes que o Vini saía de carro comigo e com pai ele me ouvia falar para o Júnior: “amor, coloca o cinto, vai”. Isso pq o Júnior dirige há “trocentos” anos e até hoje ele não lembra que cinto de segurança como o nome já diz, é para a segurança dele. Pois bem, depois resmungar um pouco o Jú finalmente afivelava o cinto. Certa vez, o Jú saiu sozinho com o Vini. Assim que entrou no carro, o pequeno pulou para a sua cadeirinha e ficou prestando atenção. O pai ligou o carro aí ele soltou: “papaiê, coloca o cinto, vai. Sem cinto não pode andar..”. E assim ele fez quando saiu com o avô, quando saiu com a tia e em todos os carros que ele andava e não tinha a cadeirinha, ele pedia para que prendessem o cinto. E quando chegava em casa ele falava todo orgulhoso: “mamanhê, o papai estava de cinto!”…rs. Ele aprendeu com os nossos exemplos, aliás, como todas as crianças….acho que o problema está aí…as vezes esquecemos que, se queremos um mundo melhor para nossas jóias, temos nós primeiro que dar o exemplo. Crianças são esponjas, prontas para absorver coisa boas e ruins.
Um outro exemplo? Veio um casal super bacana, jovem, aqui na loja. Queriam montar uma festa toda personalizada e trouxeram o filhotinho junto. Gurizinho lindo, super sorridente, uma simpatia!! Certo momento começamos a montar arte dos DVDs que eles iriam entregar de lembranças. Monta daqui, dá um palpite dali, até que o casal começou a discutir, mas discutir mesmo, do marido falar mais alto e a mulher dá piti tbm, por conta da necessidade ou não de um hífem numa palavra. Gente, parece mentira…mas eles começaram a se agredir verbalmente, na frente de pessoas estranha e, pior, na frente do filho, por conta de um hífem num DVD de lembrancinha de aniversário. Agora me digam, se fosse qualquer coisa maior que um hífem, os dois se matavam…na frente do filho. Que adianta dar tanto amor, ser uma mãezona, se a criança não tem em casa, por exemplo, lições de respeito? Que tipo de adulto esse casal está criando em casa? Por muitas vezes esquecemos que somos produtos do meio em que vivemos e que nossos filhos serão produtos deste mesmo meio.
Está afim de colocar os pingos nos is com o esposo, coloque, acerte os ponteiros, mas tente fazer isso longe dos filhos, lá, dentro das 4 paredes ou num outro lugar. Todo casal tem suas diferenças e saber respeitá-las talvez seja a chave de tudo. Tenho minhas brigas com o Jú, aliás, meu pavio é curtíssimo, mas o Vinícius nunca me viu brigada ou brigando com o pai e tenham certeza que o Gabriel e a Larissa tbm não verão. Pq? Pq sempre achei que seria bacana dar um bom exemplo para os meus filhos.
Tenho assistido pouco o Fantástico, por exemplo, até pq acho que esteja faltando um pouco de conteúdo ali, mas, sobre aquela série da BBC, a “Teen Angels”, da mãe e da filha se agredindo. Na boa, não conheço aquelas pessoas e é muito fácil julgar quando se está de fora, mas conheço muuuita gente que criou os filhos aos berros, aos palavrões e na base da bordoada e que hoje querem ter monges budistas em casa…é muito fácil falar da adolescente, mas que tipo de mãe ela teve? Moro num bairro nobre e trabalho tbm num bairro nobre e vejo todos os dias filhos sendo criados à base do dinheiro, aprendendo que o dinheiro compra tudo, inclusive as pessoas e quem tem dinheiro pode passar por cima dos outros. Amanhã, esses filhos vão tocar fogo num índio e achar que o dinheiro do papai ou o poder que o papai tem é o passaporte para a impunidade. Outro dia veio uma mãe e uma filha aqui na loja. Queriam falsificar uma carteirinha de estudante. A garota tinha 16 anos e tinha conseguido uma carteirinha de uma faculdade e queria falsificar o documento. Quando eu falei que não fazia esse tipo de coisa, a mãe me olhou com a cara feia. Disse que tinha conseguido falsificar uma Identidade para a filha num outro local. Eu respondi então, numa boa, que procurasse o tal local para fazer e não a minha loja. A mãe se sentiu no direito de ficar p da vida e começou a me detonar, falar alto dentro da minha loja… pediu para falar com o gerente e eu disse que era a dona..rs. Daí me chamou de “neguinha metida a besta” na frente dos meus clientes. Eu dei as costas e voltei para o balcão, a mulher foi embora e eu pedi desculpas a quem estava na loja e presenciou. Dentre as 3 pessoas que estavam no computador, estava uma psicóloga que tem consultório aqui no prédio. Ela balançou a cabeça e disse: “daqui há pouco essa daí vira minha cliente tbm”. Aí começamos a papear foi quando ela falou umas verdades que ela costuma falar para seus clientes. Ela disse que os pais projetam mil coisas nos filhos, cobram zilhões de atitudes, mas esquecem que aquela pessoinha em formação só se edifica se tiver um alicerce bem sólido. Portanto, o que a gente pode esperar de uma jovem que aprende que falsificar documento para ir para uma balada que não é indicada para ela com a própria mãe e que, quando contrariada, pode ofender a qualquer pessoa? Isso passa a ser normal para ela… e quando um dia, ela perceber, que o mundo não é do jeito dela, que as coisas não funcionam da maneira como ela quer, ela cai pq a base dela é fraca. Bem, acho que é isso…filho não vem com manual de funcionamento, não é uma receita de bolo e muito menos uma ciência exata, mas, com pequenos gestos e com bom senso, a gente vai longe.
Um beijo
Rê