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QUEM ACREDITA SEMPRE ALCANÇA

20 Agosto, 2008

Oi, meninas!

Bem a Clécia perguntou e eu achei bacana responder, apesar de já ter escrito outras vezes, no antigo blog da marinheira sobre isso. Aliás, como eu engravidei, foi o tema do primeiro post que escrevi na minha vida, num dia 14/04 (só que de 2004), no meu primeiro blog (que até hoje eu não tirei do ar pq esqueci a senha…rs), o http://marinheira.zip.net

É lógico que vou poupar a todas dos detalhes mais sórdidos…rs, mas o que eu gostaria de passar para a Clécia e para qualquer outra amiga que esteja com dificuldade de engravidar é o que procuro passar em todos os meus post: ACREDITE E NÃO DESISTA. Eu acreditei que conseguiria ser mãe e hoje minha 3ª jóia está prestes a chegar. Acreditei até o último segundo que meu filho venceria o câncer e, enxergando com outros olhos, ele venceu. Enfim, eu procuro ver o copo sempre meio cheio, apesar de ter vários motivos para vê-lo sempre meio vazio. As vezes nem eu acredito que eu passei por tudo que passei e estou aqui, de pé, pronta para mais tantas batalhas tiver que passar, sem chamar urubu de meu louro, sem rasgar dinheiro e sem comer titica…rs.

Em agosto de 2003 o Jú sofreu dupla torção de testículo. Acredito que pouquíssimas pessoas conheçam esta doença, pois ela é extremamente rara. Infelizmente ele não foi operado a tempo por incompetência dos médicos, mas isso é assunto para o tal primeiro post. Por conta disso ele teve que extrair este testículo e, no momento da cirurgia, descobriu-se que o outro testículo tinha um problema chamado varicocele. Lembro bem que nesta época fomos atendidos por psicólogos e foi uma barra pois o sonho do Júnior era ser pai. É lógico que eu desejava ser mãe, mas não achava que era a hora e tbm não me importava se iria gerar um filho ou não. Quando aconteceu isso, eu logo pensei na adoção (pq venho de uma família que adota já há 3 gerações, isso para a gente é normal, tanto que tenho um irmão adotivo, o Renatinho, que é tão irmão quanto a Dani) pois seria meu filho, nascido do meu ventre ou do meu coração, da mesma maneira. Mas com o Jú isso era bem mais complicado…homem tem esse tipo de problema, é mais difícil lidar com isso. Bem, resumindo, o Jú queria se separar pq achava que não poderíamos ter filhos biológicos…rs. Gente, eu não me casei com um touro reprodutor, me casei com um homem fantástico e ele continuaria sendo meu amor da mesma maneira, com filhos biológicos ou não.

Comecei uma verdadeira peregrinação atrás de uma solução para essa situação. Fazíamos mil exames: espermograma toda semana, histerossalpinografia, aff, tenho até hoje a maioria dos exames guardados (aliás, nem sei pq guardo isso…). Fui a dois centros de reprodução assistida aqui em Vitória, fui ao RJ, a MG e parei em SP, na Fertility, clínica do Dr. Assumpto. Sinceramente, só me senti bem lá pq nas outras clínicas que fui, senti que meu futuro bebê era uma mercadoria de supermercado. As chances eram proporcionais a valores maiores…coisa assustadora. Já o Dr. Assumpto foi muito claro e muito profissional. O valor era alto, mas pq envolvia muita medicação, viagens para SP a todo momento…não tínhamos a grana toda, mas pelo Júnior, valia qualquer esforço. Passei a trabalhar como uma louca, ficava semanas viajando, fora de casa, para juntar mais um trocado. Lembro que procurei o Dr. Assumpto em outubro e tinha decidido começar o tratamento em fevereiro de 2004, nas férias do Júnior.

Essa rotina de viagens me afastou do meu marido e quando a gente ficava juntos, o assunto era sobre o tratamento. O casamento ficou chato, até quando a gente namorava era estranho, parecia uma linha de produção, com um protocolo…rsrs. Até que a gente resolveu fugir…rs. Consegui uns dias no recesso entre o Natal e o Ano Novo e o Jú tbm. Pegamos o carro e fomos parar em Aracajú, depois descemos para a Costa do Sauípe onde passamos 3 dias maravilhosos, num lugar paradisíaco e, por fim, chegamos em Salvador. Foi a melhor viagem das nossas vidas. Desencanamos, esquecemos dos problemas, enfim, curtimos. Eu até tentei pegar onda…kkk. E o melhor, foi bom namorar como antes. Eu estava me sentindo linda (hehehe, estava bonitona, com meu corpitcho enxuto) e ele super apaixonado, sabe. Foi ótimo!

Em Salvador, resolvemos visitar a Igreja do Senhor do Bonfim. Pedimos juntos por um filho e fizemos uma promessa: voltaríamos lá com nosso bebê no colo para agradecer. Olha, não tenho nada contra nenhum tipo de religião, mas sim, fiz promessa sim e se tivesse que fazer outra vez, faria. Bem, voltando ao assunto, voltamos dispostos a não fazer tratamento nenhum, não se preocupar mais com isso. A gente estava sacrificando nosso casamento, ter um filho começou a virar uma paranóia…graças a Deus percebemos isso à tempo! Eu já havia parado o anticoncepcional em setembro, então, iria continuar assim. Voltamos de Salvador e 1 semana depois senti uma cólica muito forte. Depois os seios começaram a doer, comecei a enjoar, a regra atrasou…fui ao médico e pedi o BetaHCG. Fiz o exame e o Jú pegou o resultado…rs…tadinho, ele me perguntou: amor, positivo é o quê? Lembro da minha cara de susto…como assim, positivo? A gente não tinha nenhuma chance de engravidar naturalmente!! Voltei ao laboratório fula da vida, achando que o pessoal tinha trocado os exames. Pedi mais um e fiquei no laboratório esperando…rs. Positivo outra vez. Não contente, consegui um pedido para fazer uma US…e estava lá, um saquinho gestacional carinhosamente apelidado de minhoquinha…rs e um outro óvulo não fecundado. Eu tinha liberado 2 óvulos de uma só vez, sem estímulo, sem nada, naturalmente!! E assim o Vini chegou e quando ele completou 3 meses, fizemos questão de voltar a Salvador com ele nos braços para agradecer ao Senhor do Bonfim. Se tem alguém na Bahia, basta ir na sala de milagres e tem um quadrinho dele lindo, vestido com o gorro de papai noel (ele tinha 3 meses) e com os nossos agradecimentos.

O tempo passou e eu voltei a tomar anticoncepcional. Na realidade eu achava que o Vinícius já me preenchia, ele era tudo que eu queria: um meninão lindo, muito carinhoso, esperto demais, tagarela. Tudo que eu tinha um dia sonhado estava ali. Parei de tomar o remédio por algum tempo, qdo cogitamos um segundo bebê, mas não engravidei e decidi a voltar a tomar o remédio totalmente desencanada. Nesse período eu abri uma representação com a Dani, minha irmã…o dinheiro ficou curto e eu dei graças a Deus não ter engavidado. Aliás, pensar num bebê naquela época era uma péssima idéia. Até que, logo depois do aniversário de 2 aninhos do Vini, eu precisei viajar para o RJ. Na época eu tomava o Yan…bem tomei o remédio na segunda feira pela manhã, viajei e esqueci o bendito. Não tomei na terça e voltei para casa na quarta a noite. Tomei junto o remédio de terça e o de quarta, mas nem imaginei que poderia engravidar, afinal fiquei quase 6 meses sem remédio nenhum e não tinha engravidado…um atraso de nada não seria suficiente. Pouco tempo depois comecei a me sentir muito triste, não sei pq, mas era uma sensação muito ruim, uma dor no coração. Fui ao médico e o mesmo achou que eu estivesse entrando em depressão…não sei o que me deu na cabeça, mas resolvi passar na farmácia para comprar um calmante e saí de lá com um teste de gravidez…rsrs. Fiz o teste no outro dia e deu positivo…ao invés de ficar feliz eu fiquei muito triste. Eu achava desde o início que aquela gravidez tinha um propósito pq não tinha explicação…logo depois, menos de 1 mês, descobri que o nenêm não estava bem, que a gravidez era de risco…um médico maluco que fez o US disse que o bebê não sobreviveria.  Quem me ajudou muito foi Dra. Adriana, sempre com a sua sabedoria, a sua amizade e, por incrível que pareça, o Vinícius…ele adorou qdo eu expliquei para ele que tinha um bebê na minha barriga e que ia ser amigão dele. Então quando ele começou a curtir, eu comecei a curtir tbm. Quanto mais eu me apegava ao bebê, mais problema aparecia… primeiros foram os exames, as US, a biópsia, depois foi o Vini. Aí aconteceu aquilo tudo que vcs já sabem e logo depois o Biel, o “pisenti” do Vini, chegou, prematuro. Mais UTI, mais exames com resultados desanimadores….o que escrevia no blog não era nem a metade do que realmente estava acontecendo…as chances do Biel eram mínimas. Mas, mesmo assim, eu não sei de onde, acho que deve ter sido do coração mesmo ou da alma, eu tirei forças para acreditar que sim, o Gabriel venceria. E hoje o Minduim está aqui, fazendo muita bagunça, me mostrando que, mais uma vez, nós contrariamos todos os prognósticos!!

Quando o Biel completou 6 meses, decidimos eu e o Jú engravidar outra vez. Procurei minha médica e ela disse que era cedo, mas se eu desejava realmente, eu deveria tentar. Fiz todos os exames e meus hormônios estavam completamente loucos…tudo devido ao estress que eu tinha vivido. Mais uma vez as chances de engravidar eram pequenas. Mas eu queria engravidar por N motivos: tinha medo de deixar para qdo o Biel estivesse maiorzinho e ele acabasse falecendo como o Vini (ui, bate na madeira 3 vezes!), não queria olhar para ele e compará-lo ao irmão, não queria que um irmão já falecido fosse a referência dele, queria poder viver uma gravidez tranquila, gostosa, como foi a do Vini, achava que gerar uma nova vida me faria renascer, enfim, tinha mil motivos e o principal eu realmente desejava.

Mais uma vez, surpreendendo qualquer expectativa, eu engravidei muuuito rápido. E realmente, sei que foi a melhor escolha que já fiz. A Larissa está chegando no momento certo, vem trazendo vida, está crescendo saudável aqui no barrigão. Sem contar que o desenvolvimento do Biel segue a cada dia melhor. Olha quantas coisas boas!! Olha quantas bençãos!! Gente eu só tenho um motivo para chorar e um milhão para sorrir!! O Vini está aqui, está em mim eternizado…é lógico que sofro com a ausência dele, que daria a minha vida pela vida dele. O que me conforta é que vou reencontrá-lo, mas enquanto essa hora não chega, tenho um pequeno príncipe e uma futura princesinha para cuidar, para dar carinho, para educar. E olha que eu quero mais um ou dois!! Vou adotar pelo menos uma criança já maiorzinha e vou amá-la da mesma maneira, tenho certeza disso. Por muito pouco não adotei a Sara…podem escrever aí: aqui em casa cabe mais um…rsrs.

Todo mundo tem seus motivos para entristecer, para cair, para perder o chão, mas se a gente respirar fundo, a gente encontra outras saídas, outros motivos para levantar e seguir a diante. Então, Clécia, se conselho fosse bom a gente vendia, né? Mas não adianta se desesperar…pensa positivo e toca em frente. Não adianta ficar de braços cruzados esperando que a vida se resolva…vá resolvê-la, encontre suas respostas. Vá atrás do que pode ser feito: tem tratamento? quem faz tratamento? quanto custa? vale a pena? Você pode mover mundo e fundos, basta você acreditar. E acredite: por mais que a gente ache que não há uma saída, o mundo trata de mostrar que há tantas outras onde a gente pode seguir.

Bjos