Oi, anjo.
Pensei em publicar este post no sábado, dia 06…mais um “mesversário” seu. Não deu, amor…Não foi um dia mais difícil ou mais fácil que o dia de hoje… foi apenas mais um dia para praticar a difícil arte de viver sem suas gargalhadas e sem sua alegria. Ahhh, filho lindo, tenho pensando ainda mais em você, tenho sentido ainda mais a sua falta. Acho que é por causa da sua irmã, a ”Lalissa” como uma vez você a chamou, quando te falamos que um irmãozinho (ou irmãzinha) estava a caminho. Você lembra, amor?
”Bebeğin, vamos ter um outro bebeğin…Será que agora vem uma menina, a Larissa?”
“Mã-mã-ííííí, não é Lalissa! É Ga-bi-el-ô!”
E depois de algum tempo, confirmamos que vc tinha razão: quem chegava era o Gabriel.
Então, perdoa a mamãe, filho, que toda hora muda de assunto…voltando, acho esse “plus” na saudade é pq sua irmã lembra muito você quando pequititico. Até a manchinha que vc tinha na pálpebra ela tem. E o nariz cheio de bolinha de gordura? E a pele beeem branquinha, os dedos longos (lembra que mamãe falava que você tinha mãos de pianista?) e o pé bem gordinho, que mais parece um pãozinho?! Quando ela mama, meu amor, fica vermelha igualzinho como você ficava e, também exatamente como você fazia, ela prefere o mamá esquerdo ao direito. Mais surpreendente são os sorrisos que ela dá. Não, filho, não são gengivadas, são sorrisos mesmo…é sempre pela manhã, logo assim que eu chego para pegá-la naquele berço que um dia foi seu…basta dar o “bom dia, flor do dia” que vc dizia para mim que ela abre aquele sorrisão. Será, meu amor, que você pediu pro Papai do “Xéu” para que fizesse tudo assim, dessa maneira? Pq vc sabe que o maior medo que a mãe tem é de te perder pela segunda vez…é de esquecer a sua vozinha linda, os seus dentinhos perfeitos, o seu sorriso, a sua doçura e de todas as coisas que te tornavam o MEU Vinícius. Tenho tanto medo, Vini, de esquecer de como era ser sua mãe e de como era ter você como filho.
Ontem de madrugada bateu uma dor tão grande no peito, uma saudade dolorida de você, filho. Fui até a sua caixa brincar com os brinquedinhos que vc mais gostava, ver se ainda sou capaz de sentir o cheirinho bom dos seus cabelos no boné do carros…Ah, filho, seu cheirinho foi embora…mãe chorou tanto, tanto que só de lembrar dá vontade de chorar outra vez. Será que vc ainda iria curtir os brinquedinhos que guardei? Será que você ainda iria se amarrar no DVD do Cocoricó? Filho, eu assisti o clip da música “Se”, que vc amava. Lembra que vc imitava direitinho o Astolfo? No final da música vc me fazia te abraçar igual a mamãe porquinha, lembra? Será que hoje, no alto dos seus 4 anos e 3 meses vc ainda iria me fazer te abraçar igual a porquinha? Ou será que vc estaria mais ligado no Ben10, na Hanna Montana ou no i-Carly? Será que o Discovery Kids seria coisa de “quilança” e a sua praia agora seria o Cartoon Network? Que brinquedo vc pediria ao Papail Noel? Ahhh, amor, como é difícil imaginar que o certo seria vc estar vivendo tudo isso, que você deveria estar agora aqui, brincando, fazendo bagunça, correndo suado e com os pés sujinhos e não sozinho sob uma lápide. Vinícius, como dói….mas mamãe tem dois compromissos com a vida, mamãe tem mais duas flores para cuidar, duas flores lindas que merecem todo amor do mundo, que merecem ter a mesma mãezona boba que você tinha. A única coisa que mamãe pede ao Papai do Céu, meu amor, é que mamãe possa ver as duas flores ficarem beem grandes. Quando essas duas flores souberem o quanto a mamãe amou e cuidou delas, a missão da mamãe neste imenso jardim vai acabar. Aí vai ser a hora de recolher a pázinha e o baldinho e de te encontrar no jardim que a mamãe imagina que você esteja. Enquanto esse dia não chega, eu fico aqui, amor, lembrando de você e sentindo saudades.
Dön, bebeğin, dön…é só isso que mamãe sabe pedir quando chora…mamãe sabe que isso é impossível, mas dön, bebeğin, pelo menos nos meus sonhos. Pede pro Papai do Céu me deixar te visitar, filho. Há mais de 1 ano eu não sonho com vc, eu não sinto a sua presença, meu amor…aí, deixa eu parar por aqui…coração da mamãe não aguenta isso…
“Görürüm tane tane açýlan güllerimi”*. Hasrete gebeyim!!
Te amo, filho.
Mamãe.

* trecho de uma música do Tarkan que me faz chorar muito, fala sobre a perda, sobre a saudade (mas não fala de morte) e sobre a luta de viver e de ser feliz sem esse alguém. Traduzindo é mais ou menos: pétala por pétala eu vi minhas rosas desabrocharem.
Desculpem-me…estou triste. Estou afim de chorar muuuito…isso é bom, isso lava meus pensamentos. Volto amanhã, se estiver bem.
Bjo